Resenha: ‘A Forma da Sombra’

Está preparado para sair da zona de conforto? Então embarque pelos sombrios túneis do metrô e desvende a busca da verdadeira essência de um inquietante personagem. Uma dica: ele não é humano. Um conselho: você não vai gostar de cruzar com ele saindo da escuridão. Mas, calma. Não precisa se apavorar, pelo menos logo de cara. Afinal, a história é conduzida pelos olhos do caçador. Ele não te fará mal algum. Na realidade, fará você pensar. Refletir sobre a natureza, os seres humanos. Interessante, não? Só que aí é que está a parte mais aterrorizante da obra: quando chega o momento em que o leitor se identifica e compreende sentimentos que sempre desprezou. Pronto, pode se assustar agora!

Mais do que contar uma história, o livro A Forma da Sombra, de Fernando de Abreu Barreto, é uma daquelas obras que se propõem a intrigar o leitor, fazendo-o mergulhar na mente e nos questionamentos do narrador/personagem. A rotina de trabalho, idas à boate e a investigação policial são meros acessórios frente a busca conjunta, entre leitor e personagem, pela definição do misterioso ser que narra a trama. Um fio condutor que incitará a vontade incontrolável de ler a próxima página. No entanto, não pense que a jornada será tranquila. As atitudes e reflexões do personagem estão longe de serem facilmente digeridas pelo público. Tudo incomoda.

Além dos personagens (que não têm nomes) e da trama (que não é tão clara nas primeiras páginas), a estrutura do livro é outro ponto que, a princípio, apresenta certo desconforto, afinal, foge do habitual. Não há uma definição de parágrafos, e os capítulos são divididos em pequenos trechos, um após o outro, sem uma separação tradicional numerada (ou especificada). No começo, é difícil entender como a narrativa será configurada, mas, quando se descobre a real intenção desta incômoda formatação, a sua utilização se apresenta como uma boa escolha, agilizando a leitura e aprisionando o público na mente deste sujeito que, através de indagações e constatações, busca insaciavelmente formar uma definição para a sua existência. É aí que se inicia um conflito psicológico livre de amarras culturais e morais, que é o grande barato da publicação.

A Forma da Sombra é o primeiro romance do escritor carioca Fernando de Abreu Barreto. Com uma narrativa simples e direta, o autor consegue desenvolver uma trama de questionamentos, a partir do referencial de um sujeito complexo – fora dos padrões tidos como “normais” -, sem cair na monotonia típica de títulos mais reflexivos. Pelo contrário, ele foi muito feliz ao combinar os dilemas existenciais de um indivíduo com sequências de suspense e mistério. A construção do protagonista é outro ponto de mérito da obra, por fazer com que o leitor tenha um apreço perturbador pelo personagem, questionando a si mesmo.

Se você gosta de Suspense/Terror, não tenha dúvidas, vai devorar as páginas do livro.

A Forma da Sombra

‘A Forma da Sombra’ / Divulgação

 

Se interessou? A Editora Caligo liberou um trecho do A Forma da Sombra. Vale a pena conferir!

 

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